É possível ser 100% altruísta?

É possível ser 100% altruísta?

Nos dicionários, altruísmo significa “amor desinteressado ao próximo; ausência de egoísmo; atitude que visa o bem-estar do próximo, não tendo em consideração os seus próprios interesses; filantropia”.

Há quem diga que não existe altruísmo puro, ou seja, fazer algo ao outro sem receber absolutamente nada em troca. Dar sem esperar receber e, de fato, não receber. Que, quando fazemos uma boa ação, sempre nos beneficiamos de alguma forma.

Existem ao nosso redor pessoas que gastam boa parte de seu tempo ajudando pessoas desconhecidas, arrecadando e distribuindo alimentos e roupas, visitando doentes em hospitais, doando dinheiro a ONGs, cozinhando sopas e servindo-as aos moradores de rua, etc. Podemos dizer que são exemplos de pessoas altruístas.

Quando indagadas sobre por que praticam essas ações, geralmente respondem que, quando fazem o bem a alguém, recebem mais benefícios do que quem está sendo ajudado.

É fácil detectar benefícios em se praticar caridade. Do ponto de vista religioso, ajudar o próximo significa fazer a vontade de Deus. Assim, o benefício do doador aqui é, no mínimo, se sentir cumprindo um dever perante o divino. Socialmente, podemos fazer caridade para sermos vistos aos olhos dos outros e aos nossos como pessoas boas.

Psicologicamente pode haver a vontade de diminuir a culpa por termos tanto em comparação a quem tem pouco.

Não importa o motivo, o que se conclui é que há sempre alguma recompensa em nossas atitudes altruístas, quer desejemos expressamente ou não essa restituição.

Acredito que não poderia nem deveria ser diferente porque é natural à espécie humana viver em constante conexão. Não é necessário o desejo de se relacionar para que essa conexão aconteça. O simples fato de alguém existir já atinge, de alguma forma, a vida de outras pessoas.

Pensar e sentir podem parecer ações internas e individuais, que não afetam ninguém, mas, desse pensar e sentir é que surgem as ações e omissões que impactam a vida daqueles que nos cercam.

Assim, cuidar do nosso interior, de nossas emoções, do sentir-se bem e grato com a própria vida, é um dos maiores bens que podemos oferecer à humanidade.

Esse cuidado interno, de algum modo, reflete nas pessoas com quem nos encontramos. Percebe o quanto nos faz bem estar perto de pessoas resolvidas internamente? É fácil conviver com elas. Algumas têm uma “luz” que só de trocar algumas palavras com elas já nos fazem bem.

Quando nosso interior está bem cuidado, a empatia aparece naturalmente na convivência com outros seres humanos.

Colocar-se no lugar do outro, na tentativa de entender suas necessidades, se torna algo fácil, corriqueiro e prazeroso.

Portanto, acredito que faz parte do altruísmo cuidarmos de nós e do outro simultaneamente.

E é nessa conexão que está o bem maior, pois ajudar-nos mutuamente é o que contribui para dar sentido à vida.

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