O ócio como aliado da criatividade

O ócio como aliado da criatividade

Sempre ouvi falar em ociosidade com uma conotação negativa, como sinônimo de desânimo, desleixo, inércia, o oposto de trabalho, crescimento e produtividade.

A visão de trabalho que aprendi foi a de um meio árduo, penoso e necessário para se alcançar o bem estar, ou seja, o prazer como fruto do trabalho, nunca o trabalho em si. Portanto, trabalhar e ser feliz enquanto trabalha era algo nada comum, pelo menos até pouco tempo.

Além de sofrido, o trabalho estava sempre ligado a longas jornadas diárias, a estar sempre ocupado, fazendo algo. A expressão ‘homem trabalhador’ me lembrava dos operários nas fábricas, na área da construção, e também dos serviços em escritórios, onde se datilografava, carimbava, fotocopiava, arquivava e organizava fichários, tudo o que implicava um agir braçal.

Ocorre que a concepção inicial de trabalho vem mudando ao longo das décadas.

Com o desenvolvimento da tecnologia, você precisa fazer menos movimentos físicos para produz o mesmo que antes. Neste contexto, as atividades intelectuais se tornam mais comuns e, para que elas se desenvolvam, cuidar da mente começa a ser primordial.

Portanto, se no passado ser produtivo significava realizar tarefas árduas e em grande quantidade, hoje momentos de estudo, reflexão e prazer estão ganhando valor.

O sociólogo italiano Domenico de Masi, escritor do livro O Ócio Criativo, defende o equilíbrio entre trabalho, estudo e lazer. Ele define ócio criativo como sendo a capacidade de você fazer 3 (três) coisas ao mesmo tempo: trabalhar, para gerar riqueza, estudar, para adquirir conhecimento, e divertir-se, para gerar bem estar.

Nesse movimento, vai se tornando comum ouvir falar em jornadas de trabalho reduzidas e em horários mais flexíveis, de modo que a divisão rígida do tempo que a pessoa gasta trabalhando, adquirindo conhecimento ou descansando, passa a não existir.

Isto está ocorrendo porque, como o mundo muda numa velocidade jamais vista antes, a mente precisa, mais do que nunca, de cuidados para ser capaz de selecionar e digerir tudo o que recebe, e ainda ser criativa.

Portanto, ociosidade pode ser sinônimo de criatividade. Não o ócio relacionado à preguiça, mas aquele que se refere à redução do estresse para produção de ideias.

Excesso de trabalho árduo, não combina com mente criativa.

Exagerar numa lista diária de tarefas programadas sobrecarrega corpo e mente, não deixando espaço para a criação, inovação.

Mas, que ociosidade é essa que pode me ajudar a ser mais criativa, mais feliz?

Para mim, ócio criativo tem ligação direta com ter equilíbrio na vida como um todo, primando por utilizar o tempo com qualidade.

Acredito na ideia de que dentro de cada um de nós se encontra infinita sabedoria que só se manifesta se aquietarmos corpo e mente, quando então podemos desacelerar os pensamentos, refletir sobre aquilo que estamos vivenciando ou simplesmente não pensar em nada.

Não precisamos esperar a fadiga extrema, a exaustão ou a completa falta de criatividade, para pensar em abrir espaço para o ócio.

Basta identificar os momentos em que precisamos parar de dar atenção ao que está fora, voltando o olhar para o que está dentro, na intenção de ouvir e sentir o que está acontecendo em nosso interior.

Em outros momentos,  apreciar a natureza, ficar distraído olhando para o nada ou ouvir uma música já é suficiente para reiniciar nosso cérebro.

Cada um de nós pode descobrir que tipo de ócio ajudaria a ser mais produtivo, sem abrir mão de apreciar a vida.

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