Precisamos reaprender a aprender

Precisamos reaprender a aprender

Você já se pegou pensando em quantas coisas gostaria de ter feito anos atrás, mas que, por alguma razão, não conseguiu fazer? Desejos como aprender a tocar piano, fazer ballet clássico, estudar um idioma, andar de patins, desenvolver a escrita, iniciar uma nova atividade profissional ou artística.

A ideia de começar a aprender agora nem sempre é animadora porque, com o passar das décadas, temos a impressão de que nossa capacidade de aprendizagem ficou, no mínimo, duvidosa.

Para a criança é tão mais fácil de aprender qualquer coisa.

Ocorre que algumas informações preciosas, pouco divulgadas, podem fazer alguns “pré-conceitos” caírem por terra, em relação à nossa aptidão para aprender.

Até pouco tempo acreditava-se que nossos neurônios paravam de se multiplicar na infância, permanecendo imutáveis, sofrendo apenas a ação do envelhecimento.

Felizmente, com o avanço das pesquisas da neurociência, foi percebido que não é isso que acontece de fato.

O médico e escritor, Dr. Dauzio Varella, em matéria publicada em seu site, afirma que nossos neurônios continuam nascendo diariamente sob a influência de medicamentos, atividade física e desafios intelectuais.

O que ocorre é que, à medida que alguma área do cérebro fica debilitada, pelo envelhecimento ou por lesão, se houver estímulo, o cérebro opera o mecanismo da compensação, utilizando áreas nunca trabalhadas anteriormente. Assim, novas sinapses são formadas.

Portanto, o argumento de que não tenho mais capacidade física ou mental para aprender algo novo não tem base científica.

Mas sabemos que o fato da ciência nos dizer que somos capazes de ter sucesso num processo de aprendizagem não é suficiente para nos mover, não é mesmo?

Existem fortes fatores de cunho psicológico que nos freiam quando o tema é “aprender algo muito diferente do habitual”.

Especialmente se você já é bem sucedido em alguma ou várias áreas, já se esforçou muito na vida e é ótimo em múltiplas coisas, quando o assunto é iniciar uma atividade completamente nova, diversa de tudo o que você já fez, surgem sentimentos de vulnerabilidade e de inferioridade perante os que já têm prática naquilo, que causam indesejável desconforto.

O incômodo é tanto que chegamos a achar que não daremos conta.

A tendência é desistir de aprender, por achar que não precisamos passar por isso.

Falta paciência para retornar à posição de aprendiz.

Uma das razões pelas quais as crianças aprendem mais rápido um esporte, instrumento ou outro idioma está na forma como encaram o novo.

Adultos costumam ter uma abordagem objetiva e inflexível sobre tudo o que vão aprender.

Ao contrário das crianças que se deixam levar com naturalidade, adultos precisam de uma explicação lógica para cada passo que vão dar. Tudo tem que ter uma razão.

Sem falar no esforço que fazemos para não errar.

Precisamos retomar nossa capacidade nata de aprender, deixada na infância.

Precisamos reaprender a aprender. Acredite: nós não perdemos essa capacidade. Significa aceitar humildemente nossa ignorância perante algo que queremos e, ao mesmo tempo, nos tornarmos curiosos o suficiente para nos desafiar e nos dizer: até onde será que posso chegar com isso?

História inspiradora que circula pela internet é a do comerciante aposentado Helio Haus, hoje com 80 anos, fazendo aulas de ballet clássico há 5, no Centro de Movimento Deborah Colker, no Rio de Janeiro. É encantador assisti-lo fazendo aulas. Sua postura, flexibilidade, musicalidade e disposição são invejáveis.

Garanto que é rejuvenescedor se jogar na jornada de aprender algo que sempre tínhamos vontade de dominar, abandonando um pouco a lógica, a objetividade, a autocrítica e o medo de errar. Eu estou no caminho. Escrever para este blog, semanalmente, por exemplo, foi e está sendo novo e desafiador pra mim.

E quanto a você, quais são seus interesses? O que te faria feliz aprender?

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