Será que você só pode ser bom em uma coisa?

Será que você só pode ser bom em uma coisa?

Sempre ouvi dizer que devemos ter foco para alcançar um objetivo, que fazer muitas coisas ao mesmo tempo não da certo. Você quer ser arquiteto de sucesso, focalize nisso. Quer passar num concurso, só estude. Quer ser cantor profissional ou atleta olímpico, não pense, nem faça outra coisa a não ser praticar atos relacionados ao seu desejo.

Até concordo, num primeiro momento, com essa ideia. As distrações geralmente representam grandes obstáculos no caminho entre você e a sua meta.

Mas e se a pessoa já é bem sucedida numa profissão e se identifica também com outra atividade, completamente diferente? Você é advogado, mas treina patins há tanto tempo que até se sente capaz de ministrar aulas ou competir e ganhar medalhas. É dentista e surfa todos os dias.

Você é bom naquilo que pratica. Portanto, se é possível e agradável a você praticar mais de uma atividade ao mesmo tempo, provavelmente você será muito bom em tudo aquilo que exercitar, com afinco, constantemente.

Particularmente gosto de executar, no mesmo dia, atividades de áreas completamente diferentes. Passar algumas horas desempenhando tarefas intelectuais e rígidas e outro tempo executando atividades lúdicas, por exemplo, me fazem muito bem. É como se uma ocupação compensasse e completasse a outra.

Sei que nem todas as pessoas funcionam assim. Conheço colegas que são juristas em tempo integral e, para relaxar, adoram ler livros como “Teoria Pura do Direito” do jurista Hans Kelsen. Entendo. Identificam-se tão inteiramente com a área de atuação profissional que, mesmo nos momentos de lazer, se divertem se envolvendo em assuntos relacionados a sua profissão.

Pessoas que se parecem comigo nesta questão, sentem força e entusiasmo se dedicando simultaneamente a atividades completamente diferentes entre si.

Trabalhar com a matéria do Direito e no final do dia dar aula de jazz para crianças e adolescentes já me fez sentir viva e entusiasmada. Minhas melhores notas na escola foram conquistadas justamente na época e que eu, aos 14 anos, cursava 1º ano do ensino médio pela manhã, trabalhava numa agência bancária à tarde e fazia aulas de jazz dance à noite. Tudo fluía, tudo se encaixava. Era fácil.

Foi um período muito especial da minha vida. Recebia elogios dos professores porque, apesar de eu ser a única aluna que tinha um trabalho formal simultâneo aos estudos, naquela turma de uma escola particular, era possível fazer todas as tarefas e ainda ficar entre as melhores notas; minha chefe mostrava seu contentamento publicamente no banco, enaltecendo a minha habilidade em tratar bem os clientes e ser eficiente no atendimento; a professora de jazz dance disse uma vez, durante a atividade de dança livre, que eu era um exemplo de energia, ritmo e expressão corporal.

Como conseguir isso? Acredito que o entusiasmo, a vontade e o prazer em executar tarefas heterogêneas, todos os dias, são o combustível para o bom resultado simultâneo, em áreas diferentes.

Mas, se a vontade existe, mas a energia não é suficiente, sugiro que se faça um bom planejamento, definindo claramente o período em que se dedicará exclusivamente a uma atividade e quando começará a se empenhar em outra. A disciplina na execução desse plano é fundamental para seu sucesso.

Portanto, antes de concentrar toda a sua energia num único projeto ou de se sobrecarregar de obrigações, convém fazer-se algumas perguntas para descobrir se você deve monopolizar ou não o rumo de suas ações: tenho energia para fazer tudo o que preciso diariamente, compensando possível cansaço com a sensação de dever cumprido? Se sim, qual a melhor forma de começar tudo isso sem me estressar? Se não, com a dedicação exclusiva a um único tipo de atividade, sentirei estar fazendo a coisa certa? Há algo mais que eu deva fazer para que isso dê certo?

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