Todas as emoções nos servem

Todas as emoções nos servem

A palavra emoção significa agitação de sentimentos capazes de gerar alterações físicas, como o ritmo da respiração e da circulação sanguínea. Na infância, começamos a experimentar as primeiras manifestações emocionais que geralmente são classificadas pelas pessoas que nos cercam como boas ou más.

Expressar sentimentos como alegria, animação, afeto e coragem era considerado positivo e sempre incentivado pelos adultos. Já o medo, a raiva, a mágoa e a tristeza eram tidos como sentimentos ruins que deveriam ser evitados a todo custo. A intenção das pessoas que nos ensinaram a lidar com nossos sentimentos dessa forma certamente era boa. Elas queriam nos ver felizes e ensinavam o que aprenderam. O que não se sabia é que o ato de reprimir sentimentos, tão naturais a qualquer ser humano, pode ter resultados inversos ao esperado.

Não faz muito tempo que percebi que não é bem assim que as coisas funcionam. Falar a alguém que acabou de ter uma grande perda ‘você não deve ficar triste’ ou para alguém que descobriu uma traição ‘não sinta raiva’, é o mesmo que dizer ‘não seja humano, não tenha emoções’.

Dizer para alguém, ou para a gente mesmo, que não pode sentir isso ou aquilo produz o mesmo resultado que dizer não deve pensar na cor amarela, nem num elefante branco. Pensando bem, o efeito não é só esse. Sentir medo, por exemplo, e negar ou se opor ao que sente, aumenta a força e os efeitos do medo, gerando mais desconforto. Sem contar que todas as ações acabam sendo contaminadas por esse sentimento não digerido.

Rever o que nos foi dito sobre as emoções até agora, é uma boa ideia para ser colocada a prova.

Constatar, na prática, que as emoções negativas podem, com um pouco de esforço, nos ser tão úteis quanto as positivas, é uma conquista e tanto.

Mas, como fazer isso? Que esforço é esse? A resposta é simples, o que não significa ser fácil de fazer.

Em primeiro lugar, perceba o surgimento, em você, do sentimento negativo (se puder nominá-lo, ótimo); sinta-o com o único objetivo de aceitar sua existência, sem julgamento, pois faz parte da espécie humana ter emoções negativas; descubra sua origem (mesmo que não concorde com ela); questione, sem pressa de obter a resposta, com perguntas do tipo: Qual mensagem essa emoção me transmite? Como posso aproveitar isso? O que devo aprender sobre mim?

Viva a emoção negativa, com uma boa dose de curiosidade para aprender como você funciona. Isto transferirá sua atenção da emoção para o aprendizado, tornando-o mais forte para enfrentar novos desafios.

Somente com muito treino podemos fazer dessa prática algo natural em nossa vida.

Sheryl Sandberg, executiva-chefe de operações do Facebook, escreveu sobre a importância de exercitar nossa resiliência, sendo coautora do livro “Option B: facing adversity, building resistance and finding joy”, Opção B: enfrentar a adversidade, construir resistência e encontrar alegria. Nele, alguns exercícios comportamentais são propostos para criar resistência às adversidades da vida, da mesma forma com que exercitamos os músculos do corpo.

A ideia é criar o hábito de observar e treinar nossas emoções, de modo que passemos a não mais ver como fraqueza o surgimento de emoções negativas.

O objetivo é usar todas elas para nosso autoconhecimento e fortalecimento emocional.

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